O que é o Islam? E como se tornar muçulmano?

Reviewing by : فاروق

A Religião Islâmica "Islam"
O que é o Islam? E como se tornar muçulmano?
 
 Cada uma das seitas verdadeiras ou falsas, cada uma das associações beneficentes ou perniciosas e cada um dos partidos rectos ou perversos, tem princípios e fundamentos mentais e questões ideológicas, que determinam a sua meta e dirigem o seu trajecto, que são tomados como norma pelos seus membros e seguidores.
E quem quiser filiar-se a uma das seitas/associações supracitadas apreciará, primeiro, os seus princípios e caso consinta com eles e acredite neles em serem corretos, aceita-los-á com seu pensamento cônscio e com sua consciência, e caso não restar em si dúvida nenhuma, solicitará sua filiação a esta associação. Entrará no grupo de seus membros e seguidores e tornar-se-á obrigatório para ele as tarefas instituídas pelo seu estatuto, pagará a cota da associação, tal como prescreve o regulamento e, além disso, deverá demonstrar, com a sua conduta, fidelidade aos seus princípios, lembrar-se sempre destes princípios e não fazer nada que o distancie deles, aliás, deverá ser um bom exemplo a seguir-se nela a partir de sua conduta e boas maneiras de ser com as pessoas, e um verdadeiro pregador para a tal seita/ associação. A filiação à esta associação significa: conhecer o seu estatuto, ter a crença em seus princípios, obedecer os seus preceitos e um modo de vida que vai em concordância com a mesma. Esta situação é geral, na qual o islam é aplicável a ela. Assim, quem quiser entrar no Islam tem de aceitar, primeiro, os seus fundamentos racionais e crer neles totalmente, até que constituam para ele, uma ideologia. De salientar que esses princípios se resumem que este mundo material não é tudo e que a vida terrena não é a vida integral. Pois o Homem não criou a si mesmo, tã-pouco foi criado pelo mundo inanimado que o rodeia, porque ele é racional e o mundo inanimado não tem senso algum, mas sim ele foi criado e tudo o que existe  no universo, do nada, por um só Deus, Ele O Único, que dá a vida e a morte, Foi Ele que criou tudo, e, se quiser, pode aniquilá-lo e fazê-lo perecer. Esse é O Deus que não tem semelhante algum em todos os universos, que não teve princípio, O Eterno, que não terá um fim, O Eterno, Todo-Poderoso e não há limitações para os seus poderes e capacidades, O Sapientíssimo, e não há nada oculto para Ele, Justo, porém não se mede a Sua justiça absoluta com os parâmetros da justiça humana. Foi Ele que dispôs as tradições do universo (que denominamos Leis Naturais) e as fez todas com medidas, limitando, desde sempre, as suas partes e espécies, e o que acontece (com os vivos e com os inanimados), dentre o movimento e a inércia, a consistência e a inconsistência, o que fazem e o que deixam de fazer, dotou o homem de um intelecto, com o qual pode pensar e decidir sobre muitas coisas e escolher o que quiser, assim como dotou-lhe de uma vontade, com a qual realizará o que escolher. E Deus criou, além desta vida terrena provisória, uma outra, eterna, na qual se premia o virtuoso, com o Paraíso, e se castiga o iníquo, com o Inferno. Este é O Deus único, não tem parceiro algum, que se possa adorar junto com Ele, nem mediador, que possa interceder junto à Ele, sem a Sua anuência. Assim, a submissão deve ser absolutamente à Ele, em todos os aspectos.
Ele criou entes materiais, que podem ser vistos e sentidos por nós, e Criou, também, entes invisíveis, alguns inanimados e outros animados incumbidos em seguir suas ordens. Entre os animados, há os criados para o bem absoluto: que são os anjos; outros, caracterizados pelo mal absoluto, que são os demónios; e outros, que possuem ambos instintos do bem e do mal, são, ao mesmo tempo, virtuosos e maldosos: estes são os humanos e os génios.
Ele elege, dentre os humanos, a quem os anjos têm de revelar a legislação divina, para que a divulguem entre as pessoas. Estes são os mensageiros. De certo que tais legislações estão contidas em vários livros celestiais, que o posterior revoga o anterior a ele ou corrige-o. O último desses livros é o Alcorão, que, ao contrário do que ocorreu com os livros anteriores a ele, que foram adulterados ou perdidos e esquecidos, ele permanece (o Alcorão) intacto e salvo da adulteração  ou de qualquer perda. E o último desses mensageiros e profetas é Muhammad filho de Abdullah, o árabe, da tribo coraixita, que Paz e Bênçãos de Allah estejam sobre ele e nos restantes dos profetas, com ele ficaram seladas, para sempre, todas as mensagens, e com a sua religião, todas as religiões, não haverá, depois dele, profeta algum.
Portanto, o Alcorão é a constituição do Islam e quem está persuadido de que ele é divino e crê nele, em todas e cada uma das suas partes, chama-se crente. A fé, neste sentido, só é conhecida por Deus, porque os humanos não podem abrir os corações das pessoas e saber o que há neles. Por isso, para contar-se entre os muçulmanos, só é preciso declarar a fé, dizendo: “Testemunho que não há outra divindade (digna de ser adorada) além de Allah e que Mohammad é o Seu mensageiro”. Quem o declarar, tornar-se-á muçulmano, gozará dos mesmos direitos que qualquer muçulmano goza e terá aceitado cumprir todos os deveres que o Islam lhe impõe. Estes preceitos são poucos, fáceis, e não precisam de grande esforço, nem fadiga.
Primeiro: Observar dois rakats ao amanhecer, conversando com o seu Senhor, pedindo-lhe dos Seus favores e refúgio do Seu castigo, e fazer a ablução antes da oração ou seja lavar seus membro ou lavar todo seu corpo, no caso de ter tido contacto sexual (com sua esposa). E observar quatro rakats ao meio-dia, seguidas de outras quatro de tarde, três rakats, depois do pôr-do-sol e quatro rakats no começo da noite.
Estas são as orações prescritas, cujo cumprimento não leva mais do que meia hora por dia. Não se exige um lugar específico para observá-las, nem uma pessoa determinada que as dirija, para que sejam correctas, nem há necessidade de mediadores entre o muçulmano e o seu Senhor.
Segundo: Durante o ano, há determinado mês, em que o muçulmano adia o seu desjejum e o faz no final da noite, em vez de no começo do dia, atrasa o seu almoço, até depois do entardecer; abstém-se, durante o dia, de qualquer comida, bebida ou relação sexual. Pois, este é um mês para purificar a sua alma, dar descanso ao seu estômago e educar o seu caráter, que será, também, benéfico para o seu corpo. Além disso, este mês é uma manifestação da concordância das pessoas, na prática do bem e na igualdade na vida material.
Terceiro: Se depois de satisfazer os seus gastos pessoais e os da sua família, ainda sobrar uma determinada importância de dinheiro, que possuirá durante um ano, sem ter necessidade de gastá-la, o muçulmano responsabilizar-se-á em tirar, passado um ano, uma quantia equivalente a 2,5% do total de seus investimentos e/ou poupanças para os pobres e necessitados, o que, para ele, não será grande peso, ademais, será uma grande ajuda para o necessitado, um sólido pilar, para a solidariedade social, e um remédio, para a enfermidade da pobreza, que é o pior dos males.
Quarto: O Islam organizou para a sociedade islâmica, reuniões periódicas, semelhantes às reuniões de bairros, dispôs que os muçulmanos se reunissem cinco vezes por dia, com o horário parecido com o de um colégio, esta é a (oração coletiva), na qual cada fiel reitera a sua submissão absoluta, apresentando-se perante Deus. O fruto disso será, pois, que o forte ajudará o fraco, que os sábios ensinarão os ignorantes, e que os ricos socorrerão os pobres. A duração desta reunião é de um quarto de hora. Assim, não há interrupção no trabalho de qualquer um, seja ele trabalhador de uma fábrica ou comerciante. E outra reunião, similar aos conselhos dos direitos, celebra-se uma vez por semana, é a congregação de sexta-feira. A sua duração é de aproximadamente uma hora e a sua assistência é obrigatória para todos os homens.
Uma terceira reunião, semelhantes aos conselhos das cidades, celebra-se uma vez por ano, é a oração das festividades (Eid) - o comparecimento não é obrigatório e a sua duração é inferior à uma hora.
E por último, uma grande reunião, a exemplo de um congresso geral. Celebra-se cada ano num local determinado. Na realidade, é uma convocação que proporciona orientação em todos os aspectos: espiritual, físico e intelectual. O muçulmano tem a obrigação de participar nela, ao menos uma vez em sua vida, é a Peregrinação (Hajj).
Estes são os deveres religiosos originais, os quais o muçulmano é obrigado a cumprir.
Além destes deveres, a abstenção de certos actos é também designada como adoração, são actos deploráveis e as pessoas sensatas os condenam por serem um mal e, portanto, devem ser evitados, tais como: matar sem motivo, desrespeitar os direitos das pessoas, a tirania em todas as suas formas, o consumo de bebidas alcoólicas, pois fazem perder a consciência, a fornicação, que atenta contra a honra e mistura a descendência, a usura, a mentira, a trama, a traição e a deserção do serviço militar, quando este tem por objetivo servir a causa de Deus. Porém, entre todos, os mais graves são: a desobediência aos pais, o perjúrio e o falso testemunho.
Além destes, há outros actos abomináveis e maldosos, dos quais a razão percebe sua falsidade e sua maldade.
Se o Muçulmano se descuidar do cumprimento de algum dos seus deveres ou infringir algumas das proibições, de imediato se arrepender e pedir perdão a Deus, Ele o perdoará. Porém, se não se arrepender, ficará muçulmano, todavia pecador e merecedor do castigo, no dia do juízo final, se bem que seu castigo será transitório, (estará na vontade de Deus) e não eterno, como o do incrédulo.
É possível que muçulmano abandone alguns dos seus deveres ou infrinja algumas proibições, mesmo sabendo que aquele é o seu dever e que estas são ilícitas, ele continuará sendo muçulmano, porém considera-se pecador. Quanto às ramificações da fé, estas são indivisíveis, é necessário que se crê em todas elas, e mesmo que ele creia, por exemplo, em noventa e nove por cento e renegue uma delas, será considerado de incrédulo.
De frisar, que um muçulmano pode  não ser um crente, é como quem se filia a uma associação ou partido, assiste as suas reuniões, paga as suas cotas e faz o papel de sócio, porém não consentiu com os seus princípios e nem se conformou com a sua autenticidade, apenas filiou-se a ela para espionar ou corromper os seus assuntos, este é o hipócrita, que pronuncia os dois testemunhos e cumpre com os deveres religiosos aparentemente, porém não crê na verdade, este não se salvará, ante Deus. Sem dúvida, as pessoas o consideram muçulmano, pois só veem as aparências, Não obstante Deus, O Único, vê tudo o que é oculto e tudo que está nos corações. Se todo homem crêr nos fundamentos ideológicos, que são a crença absoluta em Deus, não atribundo sócios a Ele, nem mediadores, crêr nos anjos, nos mensageiros, nos livros sagrados, na outra vida, no destino, e pronunciar os dois testemunhos de fé, praticar as orações prescritas, jejuar durante o mês de Ramadan, pagar a esmola (Zakat) do seu dinheiro, (se possuir), fizer a peregrinação a Casa uma vez na vida, caso tenha possibilidades, e privar-se daquilo em que há acordo sobre a sua ilicitude, será considerado de um muçulmano crente. Porém, o fruto de sua crença não se manifestará nele, e ele nem sentirá a sua doçura, tampouco será um muçulmano completo, até que adote, em sua vida princípios de um muçulmano crente.
O Mensageiro de Deus resumiu esta forma de conduta em uma só frase, com as mais eloquentes palavras que um homem já pronunciou. Estas palavras reúnem o bem absoluto, desta e da outra vida, e são: que o muçulmano tenha presente, em sua memória, que a todo o momento, esteja de pé ou sentado, só ou acompanhado, na seriedade ou na frivolidade, e em todas as circunstâncias, Deus o vê e o observa, assim sendo, não O desobedecerá, e não temerá ou se desesperará, pois saberá que Deus é com ele, não sentirá solidão, nem necessidade de nada, uma vez que pedirá a Deus confidentemente. Se O desobedecer- pese embora a sua natureza é de ser desobediente - retornará e se arrependerá e lhe será aceito o arrependimento”.
Tudo o que foi dito anteriormente está baseado nas palavras do Mensageiro (que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele) sobre o conceito do (Ihsan): “que é adorar a Deus como se estivesse a vê-Lo, pois, se não  estiver a ve-Lo, Ele estará vendo a ti.”
Este é o Islam, aquele que veio com uma bondade legislação, fácil e facilitada, que pode ser percebida pelo popular assim o como pelo sábio, e que pode se familiarizar a ela a criança e o maior de idade, não encarrega a ninguém extravagâncias, e não lhe pede algo que não pode, atribui-lhe todas liberdades, desde que não seja desobediência em seu Senhor, ou nocividade para o terceiro, deste modo, o Islam é uma religião de segurança, tolerância e paz.
Esta é a religião Islâmica em suma.
Fonte de referência: Livro: definição comum da religião islâmica.
 
Autoria: Sheikh ALI Al'Tantawi (que Allah seja Misericordioso para com ele)!




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